Paddy Clarke Ha Ha Ha é um livro fantástico de Roddy Doyle – Resenha

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Paddy Clarke Ha Ha Ha é o primeiro livro que li de Roddy Doyle. O escritor premiado nasceu em Dublin, capital da Irlanda, em 1958 e deu aula de inglês e geografia.
É uma história de garotos que se passa em uma periferia de Dublin
É uma história de garotos que se passa em uma periferia de Dublin. Não sei por que, mas taí um lugar que não conheço e há uma certa aura de lugar agradável no verão e que deve ser a “Cinzas de Ângela” no inverno.
Os garotos se divertem e tem seus medos reais e imaginários. O medo do rato na privada, de serem pegos roubando as lojas da região, cada peça nesse livro é magnificamente construída. Em 1960, tudo era possível, o absurdo com as guerras voltara, como agora. Livro tão real e atual. No que daria um pai que passa o dia na frente da televisão ou lendo jornal? O clássico moderno. O meio é a mensagem? Ou o meio é a massagem no cidadão?
“Às vezes, quando nada acontece é sinal de que realmente está prestes a acontecer.”
Narração brilhante
O personagem narra os fatos de uma forma tão brilhante que você realmente acha que é uma criança mesmo quem escreve. Percebemos muitas semelhanças com a gente, fomos crianças e sabemos como pensávamos e o que fazíamos. Não importa a época e o país, as crianças são sempre iguais. Carinho, amor, maldade (tirar sarro de uma criança com pólio), risos, brincadeiras. Ver a visão da criança sobre os adultos também é fantástico!!

Se eu contar até quinhentos meus pais pararão de brigar. Quando o pai de alguém morre não tem aula. Meu pai morreu salvando um menino que se afogava, bom, isso podia ser verdade. Mas na vida real o pior nem sempre é a morte.
Gorilas
Há momentos engraçados, a fila para tomar a vacina na escola ou a guerra entre os estadunidenses e os “gorilas”, torcemos pelos “gorilas”. Ver filme na escola e torcer pelas nuvens, gritar e provocar o professor. Um desastre de Sofia dubliense. Confúcio já dizia: “Vá para a cama com o cu coçando e acordará com o dedo fedendo”.
“Se estivesse sol lá fora, não dava para distinguir quase nada na tela, porque as cortinas não eram assim tão grossas para tapar a luz. A gente gritava de alegria quando uma nuvem encobria o sol e gritava de novo quando o sol voltava a aparecer. Às vezes, só dava para ouvir o filme. Mas era fácil de saber o que acontecia na tela.”
Vejam a simplicidade. Crianças pedem cachorro para os pais. Mas se os pelos incomodam, sujam ou dão alergia, podemos ter um cachorro careca. É assim o mundo, por que os adultos complicam tudo?
Os adultos que jogaram futebol nas ruas de sampa entenderão muito bem o que é chutar num portão e fazer dois gols, um a favor e outro contra. A construção do livro é bem-feita, é o pensamento de Paddy, sua relação com o irmão mais novo Simbad e suas “irrelevantes” irmãs. A mãe uma mulher sempre feliz e que aquecia a casa. Acompanhar o pensamento de uma criança às vezes é complicado, pedimos um tempo na leitura e retomamos. O fim é quase que inevitável.
As crianças continuam brincando nas periferias do mundo.
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