Lavoura Arcaica Livro de Raduan Nassar – Resenha

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Raduan Nassar é um poeta que escreve em prosa. Está ao lado de Clarice Lispector e Graciliano Ramos.
A leitura não é das mais fáceis e simples. Ler poemas nem sempre é simples. Alguns leitores dizem que param de ler no início, pois não conseguem entender o texto ou não gostam da forma como é escrito. De minha parte, senti um estranhamento, mas passou após pausas na leitura.
Pensei em fazer essa breve resenha em forma de versos, mas sou incapaz.
O livro mostra o amor numa família, ou melhor, os tipos de amores.
Talvez a linguagem do livro sirva para quebrar o normal. O reto. O estabelecido. A língua como uma lança, que para uns fere de morte e para outros é flecha de cupido. Um cupido corrompido? A linguagem acaba sendo uma forma de ferir um pai autoritário e amar uma mãe com sua criação.
Um livro de amor e de linguagem.
“Pois entre os objetos que o quarto consagra estão primeiro os objetos do corpo”. (Lavoura Arcaica)
Como já dizia Marçal Aquino, “o amor e outros objetos pontiagudos”.
O céu arcaico dessa lavoura arcaica tem uma cor roxa de opressão e vermelho de amor.
“Que o gado sempre vai ao cocho, o gado sempre vai ao poço” (Lavoura Arcaica)
O que hão de pensar a família e os Santos? “Nem tudo num navio se deteriora no porão”, a língua portuguesa cresce com essa prosa.
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